Coordenei, há um tempo atrás, uma oficina para contadores de história através da Oficina Cultural Cândido Portinari, teve como público alvo pessoas que se interessassem por essa arte, aqui em Ribeirão. Foi uma oficina heterogênea. Havia psicólogos, professores, contadores de história, professores de pré-escola, sendo essa última categoria a mais numerosa. No último dia da oficina, duas alunas, Aline e Lilian (CEI Aurélio Pacagnella) me entregaram um vídeo produzido com seus alunos da pré-escola, tendo como base um tópico da minha aula: Poesia e crianças. Usei um poema de Paulo Leminski A LUA NO CINEMA, para sugerir algumas técnicas bacanas que poderiam ser trabalhadas com crianças. E qual não foi minha surpresa quando assistimos ao vídeo:
Na frase final do poema, a lua tristinha diz: Amanheça, por favor!!!!!!!
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quinta-feira, 23 de julho de 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
HISTÓRIAS LEGAIS NO BEQUINHO DE CORA
Terminou a Feira do Livro. Conseguimos completar 50 apresentações no “Bequinho de Cora Coralina”. Essas 50 apresentações foram divididas em duas: um mix com duração de 30 minutos, para arrebanhar crianças que estavam ociosas e o espetáculo todo com duração de 50 minutos para o público em geral. Muitas histórias bacanas aconteceram com a platéia infantil.
Na história da Princesinha Lui e o plebeu, o velho mandarim, pai da princesa, pede aos soldados que coloquem fogo no quiosque e tragam os corpos tostados para ele ver, mas os soldados não encontram os corpos e o mandarim olha para o mar e vê um barco com quatro bracinhos acenando alegremente. Eu pergunto para a platéia: Quem são esses bracinhos? Um garotinho (uns 5 anos) grita:
- Os corpos.
Foi uma risada só, com direito a aplausos para o garotinho, que cá entre nós mereceu.
O mix do espetáculo tinha outro formato, especial para crianças da pré-escola, na abertura faço uma dinâmica com minha caixa de histórias, e tiro de dentro o livro da Cora Coralina e peço que eles escolham qual das duas histórias devo contar: uma com final feliz e a outra uma história muito triste. Em todas as sessões foi unânime a escolha pela história muito triste. Achei esse dado interessante. Será que a identificação com a tristeza é mais forte do que com o final feliz? Eles já sabem que na vida nem tudo é final feliz?
Na história da escravinha Jesuininha, o momento crucial e mais triste é quando o caco fura a veia do pescoço dela, todo o sangue de seu corpo se esvai por esse buraquinho, durante toda a noite.
Nesse momento, dois irmãozinhos sentadinhos juntos. O menino olha pra cara da menina e diz: Nossa! Que cara! Ela olha pra ele, junta as mãozinhas fazendo um colar com as mãos e diz: Era CACO DE VIDRO com a carinha mais triste do mundo. Riso geral da platéia.
Aquela 5ª. Série da professora Marisa:
Uma classe de 5a. série, professora bacana, perderam a hora no Planetário, não tinham onde ir, entraram no Bequinho. Foi a coisa mais linda que eu já vi. No final, depois de tudo explicado, todos lemos juntos a última estrofe do poema O Prato Azul-Pombinho. A classe toda lendo devagar por não ter fluência dominou o auditório e todos (os adultos) leram naquele andamento. Logo depois da leitura, sem intervalo nenhum, as luzes se apagam e eu entro cantando Amo-te muito, não dei conta e chorei cantando a música. Não me lembro de ter passado uma experiência dessa antes. Nem dessa: na fila dos abraços, várias crianças me abraçaram chorando... Aí choramos e rimos juntos. Foi incrível. Uma compensação assim, apaga qualquer dor no coração da gente.
Numa das apresentações comecei a contar a história da Jesuininha explicando sobre a Dona Jesuína, um pouco diferente das outras vezes, uma garotinha, assistindo o espetáculo pela segunda vez, cutuca o Rodrigo (que estava cuidando do vídeo) e diz assim:
- Ela mudou essa parte!!!!!!
O dia 24 (quarta-feira) foi o mais difícil. Entra uma turma de adolescentes absortos, com pensamentos distantes, menina fazendo trancinhas no cabelo da outra durante o espetáculo, outros mexendo no celular (mesmo desligado), olhares de desdém para mim, enfim crianças que não são acostumadas a ouvir histórias, pois requer atenção. Sofri demais. Na apresentação da noite, uma senhora sentada na primeira fila (Dona Estela) muito carente de "ouvidos", falava MUITO alto comigo, interrompendo o meu raciocínio, durante toda a apresentação. Foi muito difícil. Pessoas saíram, outra chegou a sentar-se ao lado dela e dizer-lhe baixinho: "ela precisa se concentrar, quando terminar a senhora conversa com ela". A Dona Estela muito "senhora de si" diz em alto e bom tom: MAS EU SÓ ESTOU AJUDANDO ELA. Agora, escrevendo aqui, acho engraçado... Mas na hora foi muito difícil. No final, na fila dos abraços, ela falou baixo pra mim: "Você me perdoa?" - E eu calmamente respondi: "Dona Estela a senhora não precisa de perdão, a senhora pode tudo". Estou salva, pensei!
Os monitores do stand da Vivo, ali coladinho à Casa da Cora, foram assistindo, geralmente dois por vez. E três assistiram essa sessão da Dona Estela. Então, passamos a ter um código ali no meu pedaço, quando eles me viam por ali diziam: Olha que chamo a dona Estela hein!!!!! heheheheh
O César, monitor de som do espetáculo, ainda não havia assistido o Mix. Quando eu tento abrir a caixinha, que é “sistemática”, e ela não abre eu começo a sofrer dizendo que se ela não abrir não conseguirei contar a história e tal... Nessa primeira sessão do César, eu perguntei a ele alto:
- César, você colou a caixinha?
Ele mais que depressa, “para me salvar” diz:
- Sim, colei.
Tive que arrumar um jeito de dizer que a caixinha não aceitava cola de outra pessoa que não fosse eu...
O improviso na contação de história às vezes, coloca a gente em apuros.
Na história da Princesinha Lui e o plebeu, o velho mandarim, pai da princesa, pede aos soldados que coloquem fogo no quiosque e tragam os corpos tostados para ele ver, mas os soldados não encontram os corpos e o mandarim olha para o mar e vê um barco com quatro bracinhos acenando alegremente. Eu pergunto para a platéia: Quem são esses bracinhos? Um garotinho (uns 5 anos) grita:
- Os corpos.
Foi uma risada só, com direito a aplausos para o garotinho, que cá entre nós mereceu.
O mix do espetáculo tinha outro formato, especial para crianças da pré-escola, na abertura faço uma dinâmica com minha caixa de histórias, e tiro de dentro o livro da Cora Coralina e peço que eles escolham qual das duas histórias devo contar: uma com final feliz e a outra uma história muito triste. Em todas as sessões foi unânime a escolha pela história muito triste. Achei esse dado interessante. Será que a identificação com a tristeza é mais forte do que com o final feliz? Eles já sabem que na vida nem tudo é final feliz?
Na história da escravinha Jesuininha, o momento crucial e mais triste é quando o caco fura a veia do pescoço dela, todo o sangue de seu corpo se esvai por esse buraquinho, durante toda a noite.
Nesse momento, dois irmãozinhos sentadinhos juntos. O menino olha pra cara da menina e diz: Nossa! Que cara! Ela olha pra ele, junta as mãozinhas fazendo um colar com as mãos e diz: Era CACO DE VIDRO com a carinha mais triste do mundo. Riso geral da platéia.
Aquela 5ª. Série da professora Marisa:
Uma classe de 5a. série, professora bacana, perderam a hora no Planetário, não tinham onde ir, entraram no Bequinho. Foi a coisa mais linda que eu já vi. No final, depois de tudo explicado, todos lemos juntos a última estrofe do poema O Prato Azul-Pombinho. A classe toda lendo devagar por não ter fluência dominou o auditório e todos (os adultos) leram naquele andamento. Logo depois da leitura, sem intervalo nenhum, as luzes se apagam e eu entro cantando Amo-te muito, não dei conta e chorei cantando a música. Não me lembro de ter passado uma experiência dessa antes. Nem dessa: na fila dos abraços, várias crianças me abraçaram chorando... Aí choramos e rimos juntos. Foi incrível. Uma compensação assim, apaga qualquer dor no coração da gente.
Numa das apresentações comecei a contar a história da Jesuininha explicando sobre a Dona Jesuína, um pouco diferente das outras vezes, uma garotinha, assistindo o espetáculo pela segunda vez, cutuca o Rodrigo (que estava cuidando do vídeo) e diz assim:
- Ela mudou essa parte!!!!!!
O dia 24 (quarta-feira) foi o mais difícil. Entra uma turma de adolescentes absortos, com pensamentos distantes, menina fazendo trancinhas no cabelo da outra durante o espetáculo, outros mexendo no celular (mesmo desligado), olhares de desdém para mim, enfim crianças que não são acostumadas a ouvir histórias, pois requer atenção. Sofri demais. Na apresentação da noite, uma senhora sentada na primeira fila (Dona Estela) muito carente de "ouvidos", falava MUITO alto comigo, interrompendo o meu raciocínio, durante toda a apresentação. Foi muito difícil. Pessoas saíram, outra chegou a sentar-se ao lado dela e dizer-lhe baixinho: "ela precisa se concentrar, quando terminar a senhora conversa com ela". A Dona Estela muito "senhora de si" diz em alto e bom tom: MAS EU SÓ ESTOU AJUDANDO ELA. Agora, escrevendo aqui, acho engraçado... Mas na hora foi muito difícil. No final, na fila dos abraços, ela falou baixo pra mim: "Você me perdoa?" - E eu calmamente respondi: "Dona Estela a senhora não precisa de perdão, a senhora pode tudo". Estou salva, pensei!
Os monitores do stand da Vivo, ali coladinho à Casa da Cora, foram assistindo, geralmente dois por vez. E três assistiram essa sessão da Dona Estela. Então, passamos a ter um código ali no meu pedaço, quando eles me viam por ali diziam: Olha que chamo a dona Estela hein!!!!! heheheheh
O César, monitor de som do espetáculo, ainda não havia assistido o Mix. Quando eu tento abrir a caixinha, que é “sistemática”, e ela não abre eu começo a sofrer dizendo que se ela não abrir não conseguirei contar a história e tal... Nessa primeira sessão do César, eu perguntei a ele alto:
- César, você colou a caixinha?
Ele mais que depressa, “para me salvar” diz:
- Sim, colei.
Tive que arrumar um jeito de dizer que a caixinha não aceitava cola de outra pessoa que não fosse eu...
O improviso na contação de história às vezes, coloca a gente em apuros.
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